Los buitres ya dan vueltas

por Júlio de Paula

Los buitres ya dan vueltas

Uma coisa significa outra coisa quando muda de lugar. Uma faca na mesa é muito diferente de uma faca na cintura. Mais diferente ainda de uma faca cravada num corpo.

Moris, artista mexicano nascido em 1978, se apropria (em intercâmbio) de pertences das populações marginais e os resignifica esteticamente, em trabalho que propõe uma reflexão sobre a violência social, possíveis formas de resistência, desequilíbrios de poder.

Em sala da Trigésima Bienal de São Paulo, entre outras obras expostas, uma peça de roupa dependurada num galho de árvore trata da psicologia do predador e da presa (ou das estratégias de sobrevivência do marginal versus o poder institucional): “Os abutres já dão voltas”, diz o cartaz.

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Seminário da disciplina Mídia e Poder

A partir do filme de Billy Wilder, A Montanha dos Sete Abutres, o grupo Midia e Poder-Abutre elaborou o seminário da disciplina pelo viés da Sociedade do Espetáculo.

Cada integrante escolheu uma leitura possível para se aprofundar e apresentar à sala. Os pontos escolhidos foram “O argumento da autoridade”, “Showrnalismo”, “A credibilidade da fonte”, “O tempo espetacular” e “O interesse pelo espetáculo”. Com referências de filósofos, sociólogos, jornalistas e psicólogos (a referência bibliográfica completa pode ser conferida no power point disponibilizado abaixo), o grupo procurou fazer uma análise contemporânea do “pani et circus” buscando suas origens e suas consequências.

Para ver a apresentação em power point, clique em Seminário*.

* os trechos de vídeo apontados nesse material foram retirados da apresentação por motivos legais relacionados aos direitos autorais.

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Urgência e alerta: a espetacularização do cotidiano na grande metrópole

por Fernanda Ribeiro e Melissa Cerozzi

Os programas vespertinos voltados à veiculação de notícias policiais e tragédias do cotidiano, como o Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, e o Cidade Alerta, da TV Record, são a própria espetacularização da violência.

Preocupados em prender o espectador, ambos focam suas pautas em perseguições policiais com tiroteios, desastres, acidentes de trânsito e incêndios que acontecem na cidade de São Paulo.

Toda a construção é pensada para deixar o público chocado e curioso para ver as desgraças, começando pelo nome dos programas: “Urgente” e “Alerta”. Todo o restante da composição do noticiário faz alusão à tensão, desespero e medo que são anunciados pelo tom de voz do apresentador, pelas imagens, pela condução da narrativa – seja interagindo com o repórter ou não.

Segundo Douglas Kellner, em “Cultura da mídia e triunfo do espetáculo”, os megaespetáculos são aqueles fenômenos que possuem coberturas exageradas e que parecem ser mais do que realmente são. Há um excesso de atenção ao episódio.

No caso dos programas citados, a atenção despendida a um fenômeno leva ao exagero da cobertura, dos textos e de elementos que podem alterar o sentido real do fato fazendo com que a notícia adquira um caráter mais agressivo e impactante. A intenção aqui não é informar, mas prender a atenção do espectador.

Noticiários como os conduzidos por Luiz Datena e Marcelo Rezende atribuem uma carga emotiva e apelativa, lançando holofotes e enaltecendo situações muitas vezes corriqueiras do cotidiano. Mostram, na verdade, um recorte da realidade: um recorte apelativo e exagerado da violência na metrópole.

Não é raro os apresentadores se dirigirem ao espectador em um tom de conversa de “amigo para amigo”, chamando o público para uma “conversa”.

Na edição do programa Cidade Alerta de sexta-feira, dia 26/10, o apresentador Marcelo Rezende citou inúmeras vezes a situação em Osasco por conta das ações de criminosos que, supostamente, teriam decretado um “toque de recolher” na cidade. Rezende fez questão de rechaçar que haviam 86 policiais mortos em São Paulo num período muito curto de tempo, chegando a falar que “toda São Paulo vivia sob uma situação de pânico.”

Clique aqui e veja o vídeo da entrevista feita por telefone no programa Cidade Alerta, de 26/10/2012 onde a fonte, o capitão da PM Sérgio Marques, admite que há mortes entre os policiais, mas que também é preciso acalmar a situação – o que Rezende não teria feito em seu discurso durante o programa.

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Em cartaz o poder da mídia no cinema

por Melissa Cerozzi

Cena de “Ace in the hole”. Apesar do aparente glamour que equivocadamente ronda a profissão, o cinema mostra o lado B do jornalismo

A relação entre mídia e cinema é tão próxima quanto a da própria imprensa com as notícias. Uma relação centenária e quase sinônima. Além do glamour (principalmente aos olhos de quem não trabalha como jornalista), as duas áreas precisam de um “fato” para contar, precisam de um roteiro, falam de versões da realidade, necessitam de todo aparato tecnológico montar a mensagem e fazê-la chegar ao público, atingem milhões de pessoas em todo mundo e, claro, mexem com sentimentos e emoções dos espectadores.

Você já reparou como é quase impossível não comentar o filme que acabou de assistir? Da mesma forma acontece ao ler, ver ou ouvir uma notícia.

A relação entre as duas ‘artes’ rendeu (e continuará rendendo) muitas cenas. Como destaca a autora Stella Senra*, “coube à ficção, como desdobramento mais popular entre as diferentes formas assumidas pelo filme, o estabelecimento de um padrão de convívio mais íntimo e prolongado entre cinema e jornalismo”.

Buscando uma leitura mais crua e crítica da mídia, o cinema faz um link entre com a outra face da imprensa, ou como se diz por ai, o “lado B” da profissão: a produção da matéria, o trabalho de investigação, apuração, relação com a fonte, a abordagem da pauta pelo editor ou repórter, a busca pela qualidade ou o contrário, a exposição do sensacionalismo exacerbado e os erros que a mídia comete no dia a dia ao noticiar sem checagem adequada ou pior, pela busca frenética da audiência. Enfim, tudo o público não percebe “a olhos nus”.

Nos cursos de comunicação/jornalismo, também os newspaper movies são como uma ‘introdução’ desses novos profissionais ao ‘mundo real’. All the president’s men (Todos os Homens do Presidente – 1976), The Insider (O Informante – 1999), Mad City (O Quarto Poder – 1997), Citzen Kane (Cidadão Kane – 1941), The Truman Show (O Show de Truman: O Show da Vida – 1998) e claro, Ace in the hole (A Montanha dos Sete Abutres – 1951) são alguns clássicos adotados em universidades sobre a atuação da mídia em suas variadas formas – veículos e influência que exercem – pelas mãos dos profissionais que as representam.

Abaixo, uma lista com algumas sugestões de filmes entre o casamento (polêmico, sempre) entre cinema e jornalismo. Divirta-se.

Wag the Dog (Mera Coincidência – 1997): O presidente dos Estados Unidos (Michael Belson), a poucos dias antes da eleição, se vê envolvido em um escândalo sexual e, diante deste quadro, não vê muita chance de ser reeleito. Assim…(sinopse completa)

Capote (Capote – 2005): Em novembro de 1959, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) lê um artigo no jornal New York Times sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros em… (sinopse completa)

Shattered glass (O Preço de Uma Verdade – 2002): Stephen Glass (Hayden Christensen) é um jornalista que consegue entrar para a equipe principal do jornal The New Republic, de Washington. Entretanto, dos anos em que trabalha na redação…(sinopse completa)

The paper (O Jornal – 1994): Henry Hackett é o chefe de redação de um jornal de Nova Iorque. É um viciado no trabalho e adora o que faz, mas os dias de trabalho demasiado grandes e um salário demasiado pequeno estão a minar o seu entusiasmo… (sinopse completa)

Good Night, and Good Luck (Boa noite, boa sorte – 2005): Edward R. Morrow (David Strathairn) é um âncora de TV que, em plena era do macarthismo, luta para mostrar em seu jornal os dois lados da questão. Para tanto ele revela …(sinopse completa)

Live from Baghdad (Ao vivo de Bagdá – 2002): Em 1990 a CNN era uma rede de televisão que já ficava 24 horas no ar, em busca de uma história que durasse 24 horas. Eles estavam para encontrá-la em Bagdá. Robert Wiener (Michael Keaton), o produtor veterano da CNN… (sinopse completa)

The 11th Hour (A Última Hora – 2007) Causadas pela própria humanidade, enchentes, furacões e uma série de tragédias assolam o planeta cotidianamente. O documentário mostra como a Terra chegou nesse ponto: de que forma o ecossistema… (sinopse completa)

Sweet Smell of Success (A embriaguez do sucesso – 1957):  O maior colunista jornalístico de Nova York, J.J. Hunsecker, quer a todo custo evitar que sua irmã case-se com Steve Dallas, um músico de jazz. Assim, ele contrata Sidney Falco, um agente inescrupuloso, para atrapalhar o caso…(sinopse completa)

Broadcast News (Nos bastidores da Notícia – 1987): Em Washington D.C., a produtora (Holly Hunter) do telejornal de uma grande rede tenta manter um alto padrão de qualidade, apesar de ter que se virar de alguma maneira para aceitar…(sinopse completa)

*SENRA, Stella. Cinema e Jornalismo. In: XAVIER, Ismail. O Cinema no Século. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

Fontes das sinopses – portais AdoroCinema, Cinema Sapo e CinePlayers

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A verdade encoberta pelas sombras simbolistas

Julio de Paula e Jane Mesquita

Mary Garden como Mélisande em montagem de 1908. Acervo Biblioteca do Congresso

O etéreo, o indizível, o transcendental, o não-racional, o subjetivo – elementos que vieram a caracterizar o espírito simbolista, movimento (sobretudo poético) surgido na França no final do século 19. Imbuído desse ambiente, Claude Debussy, o mestre do impressionismo musical, parte da peça teatral de Maurice Maeterlinck para criar uma das mais sublimes óperas(1) da história: Pelléas et Mélisande.

No jogo das sombras de uma cena quase gótica, os personagens buscam a luz. Falam (ou cantam) pouco, embalados por uma refinadíssima trama musical que sugere o silêncio. “Debussy fabrica um silêncio cheio de música”, diz Jorge Coli nas notas do programa da ópera encenada no Theatro Municipal de São Paulo em setembro de 2012. “Para os simbolistas, o símbolo é a expressão do que não pode ser formulado, de tudo o que não passa pela definição racional da palavra articulada, e muito menos pela determinação abstrata do conceito. Materlinck concentra, de modo exemplar, o sentido mais profundo desse simbolismo particular. O simbolismo de Materlinck fundava-se numa relação íntima com o indizível”, escreve o professor.

A busca pela verdade num universo transcendental pode levar a um estado próximo da loucura. Como lidar com a verdade em meio ao não-racional? Talvez esta seja uma das leituras possíveis para o trágico triângulo amoroso que tem como cenário o fictício reino de Allemonde, talvez durante a Idade Média (talvez porque aqui nada é concreto). Na primeira cena da ópera, Golaud, neto do Rei Arkel, encontra Mélisande chorando numa fonte. Sua coroa caiu no fundo das águas. Ambos estão perdidos na floresta. Ela não sabe ao certo quem é, apenas diz seu nome (e assim o será por toda história). Seguem juntos, casam-se.

Juntos, vão morar no castelo do Rei Arkel (que é cego, mas é o tudo vê). Mélisande conhece – e começa a se apaixonar por Pelléas, irmão mais novo de Golaud. Junto a uma fonte, Mélisande deixa cair seu anel de casamento. A jovem se questiona: o que dirá ao marido se ele perguntar. Pelléas responde: “La vérité, La vérité”.

A ideia da “verdade” passa a ecoar por toda a ópera. A verdade aqui não é mais o anel que caiu na água, mas o amor nascente.  Golaud começa a desconfiar e a vigiar (em vão) a esposa, que passa a se deprimir e a desconfiar de seu destino: “Não sou feliz”, ela repete. E realmente jamais o será. Pelléas e Mélisande se encontram (em despedida) e se declaram apaixonados. Golaud, acometido de raiva, mata o irmão e fere a esposa, que está grávida.

Mélisande dá à luz uma pequena menina. Golaud, arrependido, implora à esposa agonizante que diga a verdade. Ela admite um amor inocente por Pelléas, mas está confusa. “Eu não disse a verdade?”, ela pergunta. “Nós precisamos de saber a verdade”, ele insiste. “Eu perdoo a todos”. Mélisande morre sem dizer mais nada. Golaud se desespera por permanecer ignorando. Arkel, o Rei, arremata: “A alma humana é muito silenciosa”.

Golaud mata o irmão e se arrepende. Afinal, ele não tem nenhuma prova concreta de que foi traído. As evidências são muito vagas: na mais contundente cena de “traição”,  Pelléas acaricia os cabelos de Mélisande.

Entre o mundo sensível e o mundo invisível, Golaud constrói sua verdade – a traição – que passa a ser tão real, que ele se deixar levar até ser traído por ela.

Se buscar a verdade inclui a necessidade de satisfazer o próprio ser, logo os fatos são as provas para a materialização da verdade. Algo que comprometa.

A construção da verdade pelos meios de comunicação de massa pode influenciar inconscientemente a coletividade quando o público passa a acreditar naquilo que pauta a maioria.

(1)    Em algum momento da história da ópera, entre os séculos 17 e 19, o gênero desempenhou papel semelhante ao do cinema e ao da televisão, tamanha popularidade. Compositores e libretistas tinham o poder de fazer a crítica social e política. A ópera como espelho de uma realidade mais direta, com personagens “reais” em cena, tem seus maiores expoentes em Verdi e Puccini. 

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1994: Os abutres sobrevoam a escola

google imagens

por Melissa Cerozzi

“Por conta da audiência, se faz coisa que você nem imagina” Florestan Fernandes, jornalista.

Em “Ace in the hole”, a falta de ética do jornalista Charles Tatum abre espaço quando a chance de cobrir uma matéria arrebatadora de grande impacto nacional – e para sua carreira – lhe salta aos olhos. Quando a notícia se espalha, repórteres de outros veículos de comunicação do País rapidamente se “mudam” para Albuquerque em busca de não perder mais nenhum detalhe.

Na trama, sutilmente, percebemos que toda imprensa cobre o fato da mesma maneira, sendo Charles Tatum e as matérias do Sun Bolletin quase que “uma fonte oficial” dos fatos.

Embora a frase de Florestan Fernandes seja “lugar comum” no jornalismo, a preocupação com a audiência é assunto desde os primeiros anos da faculdade entre os profissionais. Mais que isso. Há tempos, o tema saiu dos bancos acadêmicos para ser abordado também pela sociedade.

Em nome dela e por ela, muitas vezes o jornalista deixa de lado a ética, o trabalho minucioso da investigação, a paciência para conversar com outras fontes, o “olhar” por outro ângulo. Ou seja, deixa de “pensar fora da caixa” – para usar uma expressão atual. Afinal, por que querer arriscar em uma nova abordagem e correr o risco de noticiar algo menos impactante? Assim, a imprensa vira um “replicador” de si mesma. E, infelizmente, exemplos não faltam.

Há 18 anos, donos e funcionários da Escola de Educação Infantil Base, no bairro Aclimação, em São Paulo, foram o centro das atenções do País (e mundial) depois que uma entrevista de um delegado à imprensa “comprovou” abusos sexuais contra crianças daquela instituição. A coletiva deflagrou o maior caso de erro, abuso e “julgamento” pela mídia na história do jornalismo, o Caso Escola Base.

Os principais veículos de comunicação (emissoras de TV, jornais e revistas) não titubearam em estampar manchetes sensacionalistas e matérias condenatórias. Alguns meses depois, para a surpresa, decepção e – aqui incluo – uma lição aos jornalistas, foi revelado que o delegado Edélson Lemos não tinha provas concretas. Mas a essa altura a imprensa já havia construído uma imagem negativa (e monstruosa) dos professores e funcionários da escola.

O desfecho do caso culminou no fim das atividades da escola e a ruína moral dos envolvidos, um poder devastador que comprometeu suas vidas para sempre. Aos veículos de comunicação, restaram pagar milhões em indenização e o ranço de perpetuar um dos maiores erro da história da imprensa.

Manchete do Jornal Notícias Populares – março 1994

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Quando a notícia sai do controle: Os Sete Abutres e o Bebê-Diabo

por Fábio Andrighetto

“O que é sagrado para ele, não passa de ilusão, pois a verdade está no profano.” Feuerbach — Prefácio à segunda edição de “A Essência do Cristianismo”

No filme “A Montanha dos Sete Abutres” (Billy Wilder, 1951), o repórter Charles Tatum (Kirk Douglas) se aproveita de uma situação para criar uma história fantástica e ganhar notoriedade nacional. Apesar de confiar em seu domínio sobre a trama, a notícia não termina como ele gostaria. O mundo se mostra arredio e complexo demais para ser controlado.

O espetáculo ganha força quando o público passa a reivindicar a sua parte no drama. O motivo original produz um verdadeiro circo – digno de roda gigante – e se torna quase irrelevante. A população participa ativamente no momento em que a tragédia se transforma em um show.

Um evento desse tipo não é exclusividade da ficção.

No ano de 1975, um bebê nasceu com um par de chifres e um rabo de aproximadamente cinco centímetros em um hospital de São Bernardo do Campo. O defeito congênito foi rapidamente corrigido pelos médicos. A história foi considerada fraca para Marco Antônio Montadon, repórter do extinto jornal ”Notícias Populares”. Ainda assim, escreveu um conto inspirado no nascimento. O texto foi publicado em 11 de março por falta de assunto.

O que deveria ser um calhau (ou seja, material usado para preencher espaço em branco de uma página: “encher linguiça”), tomou conta das ruas e saiu do controle dos responsáveis pelo periódico. O diabo agora era do povo. A “notícia” ganhou fama nacional. Centenas de pessoas viram e interagiram com o filho do tinhoso pelas ruas da capital e também em outros Estados do Brasil.

Foi catártico. A população, à espera de um fenômeno que a tirasse da mesmice da vida cotidiana, encontrou o seu purgador, um ser chifrudo, peludo e de olhar aterrorizante. A redação do jornal tentou colocar um ponto final na saga – chamando até Zé do Caixão para caçar o pequeno capeta. Porém, foi tudo em vão.

O coisa-ruim chegou a parar um táxi em uma avenida movimentada e pedir carona para o inferno. A bola da neve só parou de rolar montanha abaixo quando o assunto se exauriu, e isso levou quase um mês.

O mito de que o jornalista controla a notícia mostrou-se uma falácia. Ele divide os “méritos” com a população. Em ”A Sociedade do Espetáculo”,  o francês  Guy Debord (1931-1994) afirma que “o espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu instrumento de unificação”.

Antes do Bebê-diabo, o “NP” publicou outras lendas urbanas, mas nunca obteve tamanho êxito. Certa monta, entre outras manchetes do gênero, noticiou o desaparecimento do cantor Roberto Carlos em Nova York. Para ver a capa do “NP” de 11 de março de 1975 e a cronologia do Bebê-diabo, clique aqui.

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